domingo, 5 de julho de 2009

Alimento

Eu queria dizer que eu te amo e, para falar a verdade, não sei o alcance desse sentimento que é maior do que eu.
Vou usar mais da magia para ter paciência e ver o que é certo: nós construirmos nossa vida a dois e, quando for o tempo da graça de Oxum, de três.
Queria que você soubesse pode me ajudar também, pois cada vez que vejo teu sorriso, sinto teus beijos, teu corpo e ouço essa tua voz... em especial.... falando de você, do teu dia-a-dia, perguntando de mim, de como foi meu dia.... me sinto tão bem. Com energia boa para te dar. Um alimentando o outro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Oi, tem alguém aí??????

A internet tem me deixado doida porque nem sempre consigo acessar, tenham paciência com ela e comigo.
Ah, e o Rogério não me ensinou a mexer no blog direito ainda. Esta é uma denúncia!
Espero poder estar aqui mais vezes nesse ano. Ano Okê!

que esse 2009

seja um ano cheinho da palavra realizar, realizar, realizar com amor.
que haja paz interior e exterior
que os animais sejam tratados com consideração e respeito
que o meio ambiente seja amado, como expressão total do Deus e da Deusa
que haja muita amizade
que o dinheiro seja construtor de coisas boas
que as amigas e amigos se vejam mais para rirem juntos e se consolarem
que façamos trabalhos incríveis de bom
que as crianças e adolescentes tenham seus direitos respeitados
que, nós, mulheres, continuemos firmes na nossa luta por emancipação
"pero sin perder la ternura jamas"
que haja muito amor nos relacionamentos a dois, a três, qualquer que seja a forma de amor
que a negritude seja conhecida de fato e reconhecida por seu valor
que a luta indígena vença
que haja tolerância
que as guerras se acabem e junto com ela os campos de refugiados e a orfandade de crianças e adolescentes
que possamos ler livros ótimos
assistir filmes que nos emocionem
e irmos muito ao teatro
que possamos curtir as crianças de casa
e olhar para as que estão ao nosso redor, em todos os lugares
que possamos curtir nossos velhos
que possamos rir muito
fazer amor com quem se ama
e chega de desencontros
que venham as músicas nos encantar
viagens deliciosas
na trilha do conhecimento também
viva o Carnaval!
viva o Brasil!
Esse ano é de colheita
Okê!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Lançamento do Livro 120 anos de Abolição - Existe racismo no Brasil?

O lançamento do livro das 120 cartas escolhidas acontecerá no na quinta-feira, 26/11/08, às 17 horas, no Museu Afro, Parque Ibirapuera. Será um momento histórico.

120 anos de Abolição - parte 2

E por falar em Democracia Racial, será que vivemos realmente em um país que goza desse mistério?

Tenho certeza que não. E isso ficou nítido nas cartas que escolhi para falar agora: as centenas de cartas das crianças de todo o Estado de São Paulo.

A expressão das crianças brotou em palavras, em desenhos, na mistura desse dois, mas foi além, brotou como se estivesse diante de cada uma delas, enquanto lia.

Infelizmente, preciso chamar atenção mais uma vez sobre os equívocos educacionais que marcam os indíviduos e, em especial, negros(as), mestiços(as), indígena. Em uma das cartas, o adolescente desabafava: "não tenho orgulho de ser quem sou, a história do negro me dá vergonha". Talvez se tivesse tido o direito respeitado de saber de suas origens, teria sim, muito orgulho ao contar sobre a ciência do povo negro que fora escolhido para ser escravizado não por uma suposta fraqueza, ao contrário, por seu conhecimento (agricultura, mineração) que construiu o Brasil.

E houve, mais uma vez, várias odes à Princesa Isabel.

Outro adolescente narrou que reconheceu o que já percebia, o racismo, no ambiente de trabalho. Notou que as pessoas o tratavam diferente e analisou que deveria ser preconceito em relação à sua religião, a umbanda. Até que o gerente incomodado confidenciou: Sabe o que é, você tem todos os "defeitos": é preto, gordo e macumbeiro. O adolescente prossegue, nos contando que guardou isso para si até o momento da campanha.


As crianças superaram qualquer expectativa, pois provaram sua percepção da realidade. Uma delas contou que seu pai é racista e quando ela está na rua brincando com suas amigas e amigos negros, ele chega a começa a gritar. Ela, envergonhada e triste, tranca-se no seu quarto. Diz eu gosto dos negros. Meu avô é negro e eu e meu primo apostamos corrida para ver quem chega no colo dele primeiro. Ele é negro e eu me sinto feliz. Ele me deu minha família.

Outra confidencia: Eu tenho a pele branca e a boca e os cabelos de negro. Eu me acho bonita. Minha mãe também me acha, diz que puxei meu pai e que sou mais negra do que branca.

E muitas cartas de crianças denunciando o racismo no ambiente escolar, da sala de aula ao parquinho da pré-escola: a violência cotidiana das predileções, dos apelidos humilhantes, da quase ausência de apoio efetivo.

E nessa semana festiva do dia da Consciência Negra (salve, Zumbi!) está nos noticiários o caso envolvendo Dudu Nobre, Adriana Bombom e os tripulantes da American Airlines.

Há Democracia Racial em nosso país?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

120 anos de abolição- parte 1

Tive a oportunidade de participar como leitora crítica da campanha 120 anos de abolição, encabeçada pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, com o objetivo de confirmar se o racismo existe ou não no Brasil e quais as histórias de superação e valorização da negritude . A população foi chamada a participar ou pela internet (www.120cartas.ig.com.br) ou por meio de cartas, urnas foram espalhadas pelo Estado afora. Foram mais de dois meses de "escuta" e os limites foram quebrados, uma vez que recebemos cartas e postagens do Brasil inteiro e até de brasileiros e brasileiras que residem no exterior.

Foi uma chance sem igual.

A princípio, posso falar de dados objetivas: a dificuldade de dominar minimamente o português junto com a dificuldade absurda que a realidade brasileira impõe aos negros e aos "mestiços em geral" de sobreviverem e de auto-conhecerem.

Também posso observar como a educação insiste em "transferir" equívocos graves que colocam a população negra em desvantagem secular, como exemplo, inúmeras odes à Princesa Isabel que, com todo o respeito, quem foi, o que fez mesmo? Lamento profundamente imaginar, mas respaldada em indícios fortes, que usaram uma mulher para assinar o que o Brasil lamentaria "a lei aúrea", pois um homem recusaria tal papel. Para reforçar isso é só olhar para o lado: uma lei que liberta da escravização para jogar vidas humanas a mercê da política de genocídio que vemos até hoje: a maior parte dos jovens mortos é negra, a maior parte da população desempregada é negra e etc.

Voltando a falar em transferência de equívocos conceituais demonstrados pelas cartas, aparece a tal de democracia racial. Se você acredita em democracia racial no Brasil, amigo ou amiga, afirme-se racista, confronte-se com isso, ainda que doa. Pois ou você acredita em uma política de exclusão racial que exclui negros, negras (e os pardos, utilizando termos conhecidos pela população) e política tem a ver com sistema, com estrutura política encontrada em escolas, hospitais, fóruns, delegacias, na atuação da polícia, carceragens e etc ou você acha que a parcela negra da população só cresce em função de esforço pessoal. E, ainda, se acredita mesmo nisso: assuma: você acha que o crescimento é meramente fruto de esforço pessoal e se a população negra está no pólo da exclusão.... é por causa do quê então? Olhe-se e se encare.

O que é democracia? O que é democracia racial? Negros, negras e mestiços (independentemente de sua identidade étnica) têm as mesmas oportunidades oferecidas aos brancos e brancas? Não se trata aqui de falar contra brancos e brancas individualmente (o que seria racismo) e sim de falar sobre um sistema político de exclusão que beneficia poucos em detrimento de muitos, sendo que tanto esses poucos e esses muitos podem nem saber, ao certo, falar desse sistema de apartheid, sentido na pele ou para o gozo ou para a dor. E essa ignorância do tema é fundamental para alimentar o próprio sistema.

O que você acha?

Até a parte 2!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Desumanidade Humanidade

Nessa última segunda-feira, caminhando pela Avenida Paulista, mas não com muita pressa não... que não sou dada a essas coisas, vi um tumulto em meio do trânsito.
Manu que estava comigo enxergou antes: um cachorrinho atropelado!
A pessoa (se é que pode ser chamada assim) que o atropelou foi embora, mas o motorista de trás (que honra o título de pessoa) não conseguiu prosseguir e saiu do carro. Ainda chamou a ajuda de um policial que estava em ronda, mas este se recusou. Sozinho, pegou o bichinho no colo e o levou à esquina.
Desumanidade. Humanidade. Gostaria que o vice versa ganhasse mais força.
Em volta do cachorrinho um grupo de pessoas. Todos e todas perplexos, sentindo-nos impotentes. Uma moça acariciava o bichinho, o rapaz tentava recuperá-lo. Em meio a nós, um outro rapaz se aproximou, viu o bichinho e correu para perguntar a um taxista se havia algum(a) veterinário(a) próximo(a). Ele não sabia. Lembrei de uma ong de defesa aos animais que estava fazendo um trapalho no Casarão da Avenida Paulista, corremos até lá, nada feito.
Na nossa volta, o bichinho já tinha morrido. A perplexão era contínua. Lágrimas, desolação.
A defesa da vida dos animais é garantida para a própria defesa da raça humana. É o que o Direito consagra e acertadamente, ao meu ver.
Essa defesa é da dignidade que tem haver com compaixão, ou seja, pôr-se no lugar do outro, solidariedade, companheirismo.
Alguém que atropela um animal e negligencia é o mesmo alguém que, tendo oportunidade, foge, se atropelar um ser humano. É assim porque é assim. Ponto. Até aqueles ou aquelas cujo olhar para a vida é cético não duvidam do que o olhar de um animal diz, em especial o cachorro pela preferência nacional. Esse olhar pode dizer amor, carinho, medo, dor, raiva, solidão, tristeza, saudade, felicidade... Sentimentos tão humanos.
Quem "atropela" esses sentimentos está fazendo o quê? Com quem? Com um cachorro "apenas"?
A cena foi muito triste mesmo. Entendo que Oyà recebeu o cachorrinho e está cuidando dele.
Por outro lado (acho que ler muito Rubem Alves dá nisso), a morte revela a vida e, neste caso, teve também um lado bonito. Todas aquelas pessoas que ficaram ali, que pararam seus passos paulistas e foram dignas, solidárias e companheiras daquele animal, deixando um gesto bonito.... também para a Humanidade.
Espero que mais animais possam ser adotados, independente da raça, do pedigree. O ser humano tem muita dificuldade em entender que é descendente de uma mesma raça: a humana e assim cria subdivisões para si, estendende-as com valor social aos animais, é muita loucura mesmo. Mas existe quem pensa e age diferente.

Axé